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 Jubileu de Ouro do Mosteiro do Encontro

    Há 50 anos atrás, Madre Maria Clara terminava a crônica do dia da ereção do mosteiro escrevendo: “Trata-se de uma inauguração, diante de nós abre-se uma página em branco”. E Dom Albano, arcebispo emérito de Londrina, que nos conhece desde quando era jovem padre, dizia na homilia da celebração do jubileu: “O olhar contemplativo faz-nos perceber a ação da Santíssima Trindade, e vemos por detrás dos nomes das fundadoras, das crônicas, das datas da linha do tempo, a mão da Divina Providência sempre presente”. Esta é a nossa alegria e nossa ação de graças!

    O nosso jubileu foi longamente preparado materialmente e espiritualmente, e cada uma das irmãs deu-se a fundo, estimulada pela nossa prioresa, que organizou tudo admiravelmente. Isto não significa que a “graça do último minuto” tão característica da nossa Congregação, não tenha funcionado. Aliás, rimos ao escutar a crônica de há 50 anos, “não mudou nada” dizia cada uma. Os livrinhos da missa e do ofício ficaram prontos no último momento, assim como a imagem-lembrança do dia que tinha uma cópia de uma das pombas do desenho da carta de ereção. A apresentação dos slides preparados por ir Terezinha desapareceu do computador no último minuto, e foi recuperado à última da hora; o CD, de que nos orgulhávamos tanto com os cânticos do Ofício, e que devia ser lançado no dia da festa, teve um problema de gravação e ficou mudo! E quantas emoções ainda até ao último minuto! E milagres também: ir Maria Paula que tinha ido a Curitiba especialmente para comprar flores, por mais que rodasse não achava nada, tudo esgotado por causa do dia 2 de Novembro, dia dos Defuntos e de visita aos cemitérios. Ela telefonou desanimada, que só encontrava orquídeas e caríssimas!  Mas milagre! Quando já nos dispúnhamos a usar plantas do mato, chegou Dona Terezinha, com sua filha Sirlei e com o carro cheio de flores. E no dia mesmo recebemos muitas orquídeas de amigos. A igreja estava linda.

      As três madres vindas da Bélgica e de Belém ( Terra Santa)para nossa grande alegria, e que foram o sinal visível da comunhão entre os nossos mosteiros, foram uma ajuda preciosa, deitaram mão a tudo. Como sempre acontece neste tipo de celebração é difícil calcular quantas pessoas responderiam ao nosso convite. Tudo ultrapassou os nossos cálculos. A igreja estava super cheia, não havia mais cadeiras disponíveis na casa e várias pessoas tiveram que ficar de pé. Como gostamos de ver tantos amigos dos começos, como por exemplo os membros da família Goerhinger; ou duas sobrinhas do grupo “das Tias”, as únicas que restam da grande família Marinoni; muitos amigos de Curitiba, e também muitos vizinhos próximos, de Areia Branca e de Mandirituba etc. etc. A comunidade de cogula (éramos 17) entrou em procissão na frente dos padres e dos dois bispos: Dom Albano Cavallin e Dom Francisco Carlos Bach. Este último presidiu a Eucaristia enquanto que Dom Albano fez a homilia. O coral da Madalena, nossa antiga professora de canto,  ajudou-nos a cantar com segurança. A celebração foi muito orante e ao mesmo tempo simples e solene, sentia-se um só coração e uma só alma junto com a assembléia. Dom Albano que convidamos , pois nos conhece desde o começo, ultrapassou as nossas expectativas na homilia. É um verdadeiro pastor e um catequista experimentado (ele foi o bispo responsável pela catequese a nível nacional) confiou à sua antiga secretária que tinha tido muito gosto em preparar o que ia nos dizer. É difícil fazer um resumo de tudo, começou  por falar de três modos de ver um acontecimento, há o olhar do jornalista, e para surpresa da assembléia punha uns óculos estranhíssimos, lembrando possíveis “furos” do jornalismo;  há o olhar do historiador e apareceram uns óculos grossos de cientista, e lembrava datas importantes da nossa vida;  ou o olhar do cristão, o olhar da fé. À parte estes gestos de comunicador, que fixavam a atenção das pessoas, foi o que ele disse sobre a nossa vida que nos tocou profundamente. Sentimo-nos reconhecidas, compreendidas, apreciadas, (e isto da parte de um bispo faz bem) e no fim da homilia, espontaneamente o povo aplaudiu calorosamente, uma maneira de dizer que o que ele acabava de proclamar era verdade. Foi um dos pontos altos da celebração.

     No momento das preces lembramos os amigos que nos ajudaram, os que participaram na construção espiritual da comunidade, as irmãs que vieram nos ajudar e evidentemente as fundadoras que já estão no céu: M. Maria Clara, ir Maria e ir Anne, momento forte nesta Solenidade de Todos os Santos. M. Teresa Paula que festejava 40 anos de profissão também esteve no coração da nossa oração.    Havia tanta gente que os dois grandes pães eucarísticos e os três cálices não foram suficientes, foi preciso recorrer às hóstias do tabernáculo. No final da celebração a assembléia foi convidada a olhar a apresentação dos slides preparados por ir Terezinha. Todo o mundo ficou, e em poucos minutos as nossas estalas foram ocupadas, as cadeiras trocaram de lugar e todos contemplaram a história da nossa comunidade a partir da foto das fundadoras, a primeira profissão para o Encontro em 1975 e todas as outras que se seguiram. E havia também  fotos de amigos do decorrer destes 50 anos.

      Seguiu-se uma refeição quente. Nós repartimos entre nós os diversos serviços de mesa, cada uma tinha um setor, duas ficaram na cozinha.  Um momento de emoção: como fazer para que todos pudessem se sentar? Ir Elisabeth fez maravilhas para multiplicar mesas e cadeiras. O enorme bolo do jubileu de ouro foi cortado pela Madre Chantal sob um fogo de artifício dos flashes. Pelas 15 horas as pessoas foram embora e a comunidade  conseguiu então comer sentada! E ainda pudemos congelar coisas para as irmãs da Água Viva. A noite foi a nossa vez de olhar os slides, como éramos jovens!!!

     Antes da partida das Madres para a Amazônia, fizemos uma partilha contemplativa da festa diante do Cordeiro Místico da igreja de São Bavon, que está em Gand. M. Françoise-Noël nos dizia que ela tinha visto como somos amadas. E é verdade! Ao longo destes 50 anos criamos e cultivamos tantas relações! Tantas horas passadas a acolher, a escutar! As pessoas acreditam  na nossa oração. Lembramos, então, uma “saída” de Dom Albano na homilia, quando ele dizia o espanto do jornalista quando descobriu que ao longo destes 50 anos, indo 7 vezes por dia à igreja, isso fazia um total de 127.750 visitas para louvar o Senhor! M. Hannah partilhou sua emoção por realizar que sua comunidade de Batânia tinha feito esta fundação, antes de ela nascer, e ela sentia-se orgulhosa por estar presente hoje, aqui.

   A página branca de há 50 anos, foi escrita com tanta fidelidade e dedicação! Cabe a nós agora  continuar a escrevê-la, orgulhosas das nossas predecessoras, a caminho do centenário.

     Este dia de festa foi prolongado por uma peregrinação ao primeiro mosteiro do Pinheirinho.    

                                                                                                                           Ir Teresa Paula      Vejam as fotos!!!