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 MG 0344                    Crônica da Profissão e Consagração de Ir. Maria Aparecida

 MG 0125

No último dia 31 de maio de 2015, solenidade da Santíssima Trindade, nossa Irmã Maria Aparecida fez sua profissão monástica e foi consagrada a Deus . Tendo por lema “Em vossas mãos, Senhor, ó Deus fiel” - Sl 30,6 - nossa irmã se comprometeu para todos os dias da sua vida, viver a realidade trinitária do AMOR em nosso Mosteiro.

Desde a preparação da comunidade, que ocorreu durante aproximadamente um mês antes da profissão até à benção final da Missa de sua consagração, uma atmosfera de muita alegria e unidade pairava no seio de nossa comunidade. Tendo por guia a presença de Maria “nossa mãe Aparecida”, iniciamos os estudos de aprofundamento do Mistério da Santíssima Trindade. Cada irmã recebeu um tema a ser aprofundado e três semanas antes da profissão, passamos à partilha em comunidade.

Irmã Maria Inês abriu as apresentações, no dia 11 de maio, com sua animação e preparação características. Em seu estudo sobre o salmo 32, ( salmo da festa) enfatizou a excelência da Palavra do Senhor, insistida pelo Salmista. A Palavra é sempre eficaz em sentido único, “Ela é reta [...]” - Sl 32: 4, segue direto ao seu objetivo para ser realizada. “A Palavra do Senhor criou o céu e as estrelas” – Sl 32:6. Tem-se o visível a partir do invisível. A realidade da Santíssima Trindade está presente na edificação de tudo o que existe. Nesta perspectiva Santo Agostinho escreve: “Vede bem, irmãos, as obras são do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Verbo é o Filho de Deus, e o Espírito de sua boca é o Espírito Santo”. Nossa Irmã Inês, encerrou, focando o versículo 22: “Sobre nós, venha Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos”. Que a ternura do coração do nosso Deus, sempre nos presenteie com sua graça! Na seqüência foi a vez de nossa Irmã Ancilla, que se encarregou de aprofundar o tema: a Trindade e Vida Comunitária. Ela nos surpreendeu realizando algumas dinâmicas muito interessantes, que favoreciam a interação entre as irmãs. Em uma das dinâmicas, todas tiveram que tirar as sandálias e com a visão obstruída, arremessá-las ao centro da sala. Algumas acertaram o alvo! Em seguida calçamos as sandálias que não nos pertenciam. Foi muito divertido, pois todas caminhavam com certa dificuldade, de forma um tanto quanto desajeitadas. Irmã Ancilla nos levou a pensar sobre o amor da Trindade que nos incita a caminhar sempre juntas mesmo quando as diferenças de personalidade e a adaptação que isto exige, nos causam dificuldade no caminhar.

Já no dia seguinte, 12 de maio, a missão da partilha estava nas mãos de Madre Chantal e da postulante Tayomara. Tendo como tema a primeira leitura da Missa da festa (Deut 4:32-34.39-40), Tayomara partilhou a importância do olhar para o passado, para tudo que o Senhor realizou na vida do povo, desde a saída do Egito. Trata-se da importância de não esquecer as raízes, edificando-se no alicerce firme que é a ação da mão de Deus ao longo do tempo, para que se viva no hoje a missão que Deus nos confia. Neste sentido, o hoje da profissão monástica de nossa Irmã Maria Aparecida será em todos os seus dias. A cada novo despontar da aurora, Irmã Maria Aparecida, terá o eco do seu próprio sim. Está edificada na ação da mão de Deus ao longo de sua vida e por isso aceita, hoje, mergulhar no amor Trino. Madre Chantal, recebeu o tema: Batismo e Profissão Monástica. Iniciou sua fala, enfatizando que desde que entramos no Mosteiro, devemos tomar consciência de que a vida monástica não é outra coisa que a vida cristã em plenitude iniciada no Batismo. Não temos carisma especial senão o de viver, dia a dia, esta adoção filial no mistério da Santíssima Trindade. Desta forma, nossa Madre apresentou os paralelos entre o ritual do Batismo e a Profissão Monástica, entre os quais, destacamos aqui três: I) o mergulho na água batismal corresponde ao levantar e se abaixar do Suscipe, num mergulho de morte e ressurreição; II) unção do crisma corresponde a oração consecratória e o incensamento; III) veste branca na criança a ser batizada corresponde a cogula que a monja recebe.

Dia 13 de maio, tivemos as apresentações de Irmã Maria Cecília e Irmã Maria Terezinha. Nossa Irmã Cecília, se encarregou do Evangelho: Mt 28:16-20. Os discípulos devem propagar, o Evangelho para que a Boa Nova chegue a toda humanidade. A aceitação dos receptores desta mensagem, ocorre pela conformidade à prática batismal, em nome da Trindade, conforme o próprio Ressuscitado estabelece no versículo 19 e assegura que estará sempre presente na missão de sua Igreja. ”Eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” Mt 28:20. Que esta certeza esteja sempre no coração de nossa Irmã Maria Aparecida! Irmã Terezinha, desenvolveu o tema: Aliança, enriquecendo-nos com a descrição da aliança entre Deus e seu povo, ao longo do Antigo Testamento. Deus nos busca e nos ama, nosso Deus é um Deus de Aliança. Não abandona seu povo. Porém este, muitas vezes abandonou o seu Deus. Portanto, foi imprescindível na história da Salvação que houvesse uma aliança sem fim, na qual, jamais houvesse abandonos, e por tanto, seria uma Nova e Eterna Aliança (Jr 31:31-33). O que se concretizou efetivamente na aliança plena estabelecida com o sangue de Jesus Mt (26:28). Por fim, nossa Irmã Terezinha, falou sobre a profissão de Irmã Maria Aparecida. Trata-se sobretudo de uma resposta à aliança de amor eterno que Deus desejou nos oferecer!

Tivemos uma breve pausa nas apresentações, ao longo dos dias 14 e 15 de maio, devido ao agendamento do retiro mensal das Irmãs. Retomamos as partilhas no dia 16 de maio, sábado. Com a Irmã Maria Joelma, falando sobre: A Doutrina da Santíssima Trindade e as Heresias. Diante da existência de inúmeras heresias sobre a Trindade ao longo da história, destacam-se duas; modalismo e arianismo. O Modalismo sustentava, nos séculos I e II, que em Deus só havia uma só pessoa e que o Pai, o Filho e o Espírito Santo eram “modos” de se comunicarem com os homens. O Arianismo: (século IV) defendia a unicidade de Deus, porém reduzindo Jesus a um ser criado. Facilmente Irmã Joelma, tendo elaborado uma projeção de slides com a posição dos Padres da Igreja sobre a Trindade, demonstrou a falência das duas heresias. Ainda, na mesma manhã, de sábado, Irmã Maria Paula, apresentou seu aprofundamento sobre a carta de Romanos 8:14-17. Nesses versículos 14-17 sem nomear o termo Trindade, Paulo dá uma dimensão trinitária a essa passagem falando do Espírito, do Pai e de Cristo, mas colocando o relevo sobre a obra do Espírito Santo. É graças ao Espírito Santo que podemos reconhecer Deus como nosso Pai e assim entrar nessa relação filial. Contudo, esta filiação passa pelo mistério Pascal. É somente pela morte de Cristo que o Filho entrou na glória do Pai, unidas a Cristo temos que fazer essa passagem: de morte para a vida. Já o fizemos através do nosso batismo e o ratificamos na nossa profissão. Interessante ver estes versículos dentro da nossa Regra.

Dia 17 de maio, segunda-feira, a missão de encerramento do ciclo de apresentações, estava a cargo de nossa Madre Ana Maria e Irmã Elizabeth. Madre Ana Maria, teve como tema: A Profissão na Tradição Monástica. Iniciou explicando o significado da palavra “professio” na literatura monástica antiga. O que contava era o estado de vida e não o que hoje chamamos de profissão. Tal pensamento encontra-se principalmente em Cassiano e Cesário de Arles. Para os monges do deserto, a conversão em si, já se configurava num compromisso definitivo, como ocorreu com Santo Antão. A aceitação do estado de vida monástico implicava diretamente na aceitação dos elementos de renúncia. Só depois é que começam a perceber certas etapas. O Mestre será o primeiro autor a regular uma cerimônia de profissão, elaborando um programa de etapas a serem cumpridas pelo candidato, o que também será estipulado por São Bento no cap 58 de sua Regra. Foi bem interessante reconhecer os elementos necessários de amadurecimento pelos quais a Regra molda o noviço. Irmã Elisabeth, se encarregou de aprofundar o Ícone da Santíssima Trindade de Rublev. Muito nos enriqueceu! Torna-se uma missão impossível resumir a riqueza espiritual e histórica deste ícone. Tomamos simplesmente o termo “estabilidade dinâmica” mencionada por nossa irmã, para designar o caráter suave e ao mesmo tempo de amplo movimento alegre, que consiste uma profissão monástica na solenidade da Santíssima Trindade. O ícone exprime todo o equilíbrio estável entre alegria e tranqüilidade!

Ainda na semana que se iniciou no dia 16 de maio, ficamos em comunhão de oração com nossa irmã Maria Aparecida que partiu para o seu retiro de preparação no Mosteiro das monjas Trapistas. Nosso amado irmão, Pe. Lázaro ocso, a acompanhou espiritualmente. Logo ao seu retorno, no dia 25 de maio, agendamos nossas lectios comunitárias com os textos da liturgia do Domingo da Santíssima Trindade e com a bela Oração Consecratória. Assim tudo convergia para um só propósito; a entrega de amor de nossa Irmã!

A chegada da família ocorreu na noite de sexta-feira, vinda de São Paulo. Estavam presentes o pai, Sr. Wilson, o irmão Wellington a cunhada Vanessa e o sobrinho Thales. No dia seguinte, chegaram alguns amigos em dois carros: a família do Osvaldo. Graças a Deus, todos os preparativos ocorreram de forma muito tranqüila, ainda que houvesse muito trabalho, nada de imprevisto ou algo que perturbasse em demasia. Pelo contrário, existia uma ansiedade muito gostosa! Dom Abade André e alguns monges da Abadia da Ressurreição chegaram ao fim da tarde de sábado, dia 30 de maio, com o carro contendo uns 300 kg de açúcar para nos doar.

Finalmente dia 31 de maio! SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE. Logo no início da manhã nos surpreendemos com a temperatura. A previsão anunciava 7° C, estávamos com medo do frio. Mas Deus nos privilegiou com seu carinho e o clima era muito agradável. Por volta dos 18°C e com um “solzinho” muito suave que dava ainda mais o ar de sua graça durante a cerimônia.

Todo o andamento da Missa da profissão foi muito tranqüilo. Na procissão de entrada o ícone da Trindade pintado por Irmã Rafaela de Betania é levado pelas mãos do nosso capelãp Pe. Jomar. Padre Emílio MSC e Pe. Luis Faria dos Deonianos estão presentes. Uma multidão na igreja aguarda esta procissão composta pelos acólitos, a comunidade, a professa ladeada pelo seu irmão e a Prioresa e por fim os celebrantes. No meio da assembléia temos muitos religiosos e as 4 Irmãs da Solitude. Estas ocupam parte de nosso côro.   A “estabilidade dinâmica” do ícone de Rublev quer transmitir aos leitores desta crônica, toda a suavidade alegre e emocionante que permeava cada gesto, cada palavra e cada cântico realizado pelo coral da professora Madalena (diga-se de passagem, magnífico). Lancemos agora nossa atenção para a homilia do presidente da cerimônia. Dom Abade André, destacou aquele momento em que estávamos presentes, como o momento em que “a terra toca os céus”. É uma graça ter a oportunidade em testemunhar o rito com que nossa Irmã Maria Aparecida, “radicaliza sua consagração batismal e sua vocação naturalmente missionária”. Trata-se de viver uma “missão específica; ser monja [...] evidenciar por uma vida autêntica e vibrante a palavra de São Bento: ‘Nada antepor ao amor de Cristo’ (RB 4,21) ou ainda : ‘nada absolutamente anteponham a Cristo’ (RB 72,11)”. Dom Abade ressaltou a importância do local desta vivência, certamente uma escolha de amor, “ela viverá sua missão batismal, neste espaço eclesial: o Mosteiro do Encontro [...] ligar-se-á para sempre a essa comunidade que deseja ter primazia no amor de Cristo [...]”. Trata-se sobretudo da aspiração de nossa Irmã em ser uma discípula que caminha em comunidade. Neste sentido, Dom Abade André, usou uma expressão muito bela: “[...] nossa Irmã Aparecida aspirará ser sempre [...] uma pedrinha discreta, porém insubstituível, para compor o mosaico da vida monástica na Igreja do Brasil.” Nossa Irmã Aparecida que entre inúmeros dons, realiza com maestria tantos mosaicos no ateliê, certamente será uma “pedrinha” talhada com muito amor, pelas mãos do Senhor da vida! Que ela, possa sempre, seguir a recomendação que Dom Abade novamente retomou no final de sua homília: “Nada antepor ao amor de Cristo” RB (4,21).

No Rito de Profissão, Irmã Aparecida cantou muito bem, como sempre o faz em nosso coro. O caminhar até a prostração e toda a ladainha, foram de uma suavidade tão intensas que ainda nos emociona. Assim como o Suscipe e a Oração Consecratória, a qual Dom Abade realizou cantando.

Depois da entrega das insígnias, nossa Madre Ana Maria , seguindo a liturgia do dia, dirigiu algumas palavras à Irmã Aparecida, entre elas, buscou dar a amplitude do acontecimento que estávamos vivendo: “Querida Irmã Aparecida [...] fazer profissão na vida monástica é também subir ao monte todos os dias com Jesus para depois descer à planície da vida cotidiana e evangelizar [...] através da vida fraterna [...] A Santíssima Trindade lhe ajudará a viver a unidade na diversidade de nossa comunidade”. É nesta alegria em receber Irmã Aparecida que nossa Madre encerrou: “[...] nossa comunidade se sente como Maria, exultante de alegria, ao acolher você para sempre. Imersas no mistério da Trindade, somos chamadas a nos reunir em torno do mesmo cálice e a tomar parte na refeição messiânica”.

 As oferendas foram levadas ao altar pela professa acompanhada por seu pai e seu irmão.   Outro momento comovente: depois de incensar o pão o vinho e o altar, Dom Abade vai até a professa que está de joelhos no meio do coro. Em movimentos circulares o celebrante incensa solenemente a professa em sinal de sua oblação a Deus.

O restante da Missa foi conduzido de forma que todos fizessem a experiência do Eterno muito próximo. As pessoas que estavam na Missa e convidados partilhavam esta realidade com muito entusiasmo no momento da confraternização e almoço. Os refeitórios estavam ornados com buquês belíssimos ( três da trindade) em cada mesa, obra de arte de Dona Amelinha Martins. Foi um dia incrível, uma verdadeira sinfonia composta pelos anjos de Deus! Ao final deste dia, no recreio recebemos a família da neo professa. Um momento muito gostoso, onde o Thales de 4 anos (sobrinho de Irmã Aparecida), nos encantou mostrando todos os presentes que a tia havia recebido: missal cotidiano, uma quantidade de lençóis, toalhas, sabonetes etc. Seu pai partilhou a falta da esposa (dona Vanda), que certamente contemplou, junto de Deus, a entrega de amor de sua filha. Tanto, Irmã Aparecida como seu irmão Wellington partilharam esta certeza.

No dia 1º de junho, segunda feira, ao subir para as completas passamos pelo quarto nupcial da professa. Até a porta da cela estava decorada pelas mãos de nossas irmãs artistas: Elisabeth e Maria Joelma. A noiva ofereceu a cada irmã um sabonete da “natura”.

Terça-feira, 2 de junho, tendo tomado um tempo de descanso, mas ainda com o coração cheio de encanto pelo que vivemos, nossa comunidade se reuniu para partilhar os sentimentos acerca de toda cerimônia. Foi unânime em todas as irmãs, a percepção da tranqüilidade, paz e unidade da comunidade. Todas as irmãs partilharam o mesmo sentimento de profunda emoção, no momento da ladainha. Cada uma pode renovar a sua própria profissão no momento do Suscipe tão orante e bem cantado pela professa. Esse Suscipe que é uma passagem da morte para a vida. A homilia de Dom Abade André foi muito apreciada. É bem do nosso estilo ter monges para uma profissão. A acolhida na comunidade foi citada como momento forte onde se sentiu a falta de nossa saudosa ir. Anne, um pilar no qual está edificado o nosso Mosteiro e que continua lá do céu a sustentá-lo!

Nossa Irmã Maria Aparecida e sua comunidade agradecem a todos que de perto ou de longe participaram, com suas orações, desta Profissão Monástica. Sentimos uma comunhão muito grande com todos, na certeza e na vivência do AMOR T rinitário. Sigamos caminhando sob a luz do lema de nossa Irmã Aparecida: “Em vossas mãos, Senhor, ó Deus fiel” - Sl 30,6

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